Fique a conhecer os Persona 77, uma das bandas jovens mais icónicas do Montijo na atualidade
A viagem sonora da banda “Persona 77", originária do Montijo em 2016, assemelha-se a um intricado mosaico musical habilmente composto, cujas raízes foram lançadas nas aspirações musicais dos irmãos Henrique e Daniel.
Um enredo musical que gradualmente se desenrolou pelas mãos do primeiro baixista André, que, por um capricho do destino, partilhava laços estreitos com Pedro Maceira. Foi uma melodia de acasos que, após um período de harmonias conjuntas, viu a passagem de André para o novo baixista Filipe.
Neste encontro de almas musicais, os protagonistas mais assíduos eram Pedro, Henrique e Daniel. No entanto, foi com a entrada de Filipe que o enredo ganhou contornos mais sérios e comprometidos. Henrique destaca: “Reunimos quatro indivíduos com a mesma mentalidade e objetivos.” Parece que a música os escolheu para se unirem e formarem uma entidade sonora única. Uma entidade que, conforme afirmam com convicção, assume uma nova identidade sempre que se sintonizam musicalmente.
O nome “Persona” emergiu como um eco das profundezas da mente criativa de Daniel, que em latim significa “máscara”. Quando tocavam juntos, sentiam que criaram uma máscara, uma nova persona que se amalgamou com as suas essências individuais para dar vida a algo transcendente. A enigmática presença do número “77″ relaciona-se com o icónico ano de 1977, um período em que o mundo testemunhou o nascimento de inúmeros álbuns que ecoam ainda hoje como clássicos reverenciados. Uma homenagem ao passado, um portal para uma inspiração contínua.
Pedro Maceira, realça que “temos (todos) um gosto semelhante, mas cada um confere a sua identidade única”. Assim, o caldeirão musical da banda fervilha com uma diversidade de estilos, resultante das diferentes experiências e perspetivas individuais. Referências musicais como Led Zeppelin, Pink Floyd, David Bowie e Metallica funcionam como faróis na sua jornada, mas cada membro também injeta as suas próprias referências pessoais, que ecoam como ecos melódicos distintos.
No sagrado ato de criar, Henrique partilha dois dos caminhos que a banda trilha. “Ou improvisamos e começamos a estruturar (a partir do que emergiu), ou o Daniel traz ideias, letras ou a estrutura das músicas.” O processo criativo é como uma tela em branco que ganha vida através das pinceladas musicais de cada membro. Uma colaboração fluida onde as notas se entrelaçam e dançam harmoniosamente, às vezes resultando em algo imprevisto e, em outras ocasiões, seguindo um alinhamento intencional. Por vezes o resultado é similar à ideia embrionária, por vezes toma caminhos inesperados e acaba por ser diferente.
Para Henrique, o lançamento mais marcante foi “Solução”, de 2017, o primeiro ‘single’ da banda com esta formação. Antes disso, lançaram o EP “Monomania”, correspondendo à fase em que “as pessoas começam a cantar as nossas músicas”. Desde então, Pedro e Henrique também destacam os ‘singles’ “O Feiticeiro” e “robotika”. A banda encontra-se atualmente a gravar o seu primeiro álbum, com previsão de lançamento para o primeiro trimestre de 2024.
Em relação a espetáculos ao vivo, Pedro Maceira destaca unanimemente o concerto mais impactante no Festival da Liberdade, onde abriram o palco principal para Richie Campbell e Marta Ren. Segundo Pedro, “… foi o que teve mais pessoas, foi onde sentimos uma maior pressão. Estávamos a abrir para um nome muito conhecido e grande, com um estilo diferente do nosso. Sentimos outra responsabilidade, mas o público aderiu e sentimos que conseguimos realizar um grande espetáculo.” Henrique também realça a participação da banda no Concurso de Bandas da “Festa do Avante!” e o concerto no aclamado Titanic, em Lisboa. A banda já deixou a sua marca nas Festas de Belmonte, sendo que esta foi especialmente importante por ser o primeiro pós-pandemia, e também já tocaram no renomado Salão Brasil, em Coimbra, mostrando que também já começam a fazer parte da cena Rock nacional.
Com planos bem traçados, a banda tem espetáculos marcados para setembro, no HollywoodSpot, em Feijó, e em outubro, na Base Organizada Toca das Artes, em Lisboa. Além disso, prometem uma agenda para 2024 ainda por anunciar.
“Persona 77″ deixa um apelo à união por parte da cena de produção cultural do município, acreditando que o que beneficia uns, beneficia outros, e que um concerto conjunto com outra banda sempre enriquece a experiência. Além disso, apontam para a necessidade de “mais investimento” como um dos caminhos para a valorização da cultura jovem do Montijo. Henrique ressalta que, dada a vulnerabilidade do setor, é crucial que aqueles que estão dentro dele se unam para as coisas acontecerem.
Fica assim denotado um bonito exemplo de como a criação artística e cultural está nas mãos de todos que tenham vontade e encontrem gosto no que fazem e com quem o fazem. Os Persona 77 são sem dúvida uma referência para todos os jovens artistas do Montijo.








