Adeus ao professor que pôs o Montijo a gostar de ciência
João Vau, nome maior do ensino no Montijo, morreu este sábado, 27 de dezembro. O concelho despede-se de um professor que marcou gerações dentro e fora da sala de aula.

O Montijo acordou mais silencioso este sábado. Morreu João Francisco de Oliveira Vau, professor, cientista e uma das figuras mais respeitadas da educação no concelho. Natural da terra, dedicou praticamente toda a sua vida ao ensino, num percurso iniciado em 1962 e que atravessou décadas de mudança na escola pública portuguesa.
Licenciado em Ciências Geológicas e com formação em Ciências Pedagógicas, João Vau não foi apenas mais um professor. Foi daqueles que ficam. Ensinou em várias escolas da região, passando pela Escola Secundária Jorge Peixinho, pela Escola Industrial e Comercial Alfredo da Silva, no Barreiro, e pela Escola Industrial e Comercial de Setúbal, sempre com a mesma marca de rigor e proximidade.
Para além das aulas, assumiu papéis decisivos na organização do ensino local. Foi subdiretor da Escola Industrial e Comercial do Montijo e presidente do Conselho Diretivo da Escola Secundária do Montijo, cargos onde deixou uma influência clara na forma como a escola se pensava e se vivia. A sua ligação à ciência estendeu-se também aos livros, sendo coautor de um manual escolar de Geologia usado no ensino secundário.
O reconhecimento público chegou ainda em vida. Em outubro deste ano, a Câmara Municipal do Montijo aprovou a atribuição do seu nome ao espaço municipal Trilhos da Ciência, na Atalaia, numa proposta apresentada por antigos alunos que quiseram eternizar o professor que lhes abriu horizontes.
Em nota oficial, a autarquia manifestou profundo pesar, endereçando condolências à família, amigos, antigos alunos e à comunidade educativa. O Montijo despede-se assim de um professor que transformou curiosidade em conhecimento e deixou uma herança que não cabe apenas nos manuais, mas na memória coletiva de quem com ele aprendeu.








