A História de Devoção e Sacralidade no Concelho — Santuário de Nossa Senhora da Atalaia

O Santuário de Nossa Senhora da Atalaia carrega consigo séculos de história e devoção profundamente enraizadas nas gentes da região. 

Esta joia arquitetónica, que se ergue majestosamente na colina mais alta do estuário do Tejo, é um testemunho vivo de uma tradição que une gerações em veneração e fé.

As origens deste santuário estão intrinsecamente ligadas a uma lendária aparição da Virgem Maria no topo de uma aroeira, próximo à agora sagrada Fonte Santa. Este fenómeno religioso rapidamente tornou-se o epicentro de uma fervorosa romaria, que já ultrapassou a cena religiosa, adquirindo lugar na cultura local. Um primeiro edifício religioso foi construído, abrigando uma imagem venerada de Nossa Senhora. Embora a cronologia exata destes acontecimentos permaneça envolta em mistério, é indiscutível que, desde os primórdios do século XVI, a devoção a Nossa Senhora da Atalaia já era profundamente arraigada. A ponto de, em 1507, oficiais das alfândegas organizarem uma romaria anual na sua homenagem, ressaltando a sua proeminência e antiguidade. Ainda, a historiografia do século XIX suscita que alguns grupos de devotos alegavam que esta devoção remonta ao reinado de D. Manuel.

Em 1540, a cobertura da sagrada fonte foi concluída, a mando dos Senhores de Alcochete, um marco concreto da continuidade da veneração a Nossa Senhora da Atalaia, demonstrando a sua importância para além das fronteiras do que agora conhecemos como Concelho do Montijo.

O monumento que enaltece a Virgem é composto por duas partes distintas. No sopé da colina da Atalaia ergue-se o cruzeiro, adornado com esculturas representando Nossa Senhora da Piedade num dos lados e Cristo na Cruz na outra. Ambas estão apoiadas num capitel que repousa sobre uma coluna monolítica. Este cruzeiro é circundado por um alpendre quadrangular sustentado por quatro colunas e coroado por uma cúpula, decorada com pináculos triangulares nos cantos.

O grupo escultórico é o cerne deste monumento, embora a sua conservação seja desigual e partes da escultura estejam desgastadas. A face da Piedade é uma das mais comuns em cruzeiros desta natureza, e é proeminentemente exibida, visível a todos que se aproximam da Atalaia. No lado voltado para o santuário, a Crucificação é representada, completando os dois momentos cruciais da Paixão de Cristo. O capitel que sustenta este conjunto escultórico também merece destaque, com um ‘design’ que inequivocamente remete ao vocabulário renascentista.

Do terreiro das oliveiras, subimos a escadaria que nos entrega ao Santuário de Nossa Senhora de Atalaia. Em dias límpidos, este local oferece a melhor vista do Tejo e os seus arredores.

Como referido supramente, este santuário, como tantos outros, origina-se de uma aparição divina. Segundo os fiéis, a imagem de Nossa Senhora surgiu no topo de uma aroeira próxima da Fonte Santa, cuja história exploraremos a seguir. Embora a fundação precisa do templo permaneça incerta, alguns autores apontam para o ano de 1623. No entanto, em 1507, a devoção a Nossa Senhora da Atalaia começou a ganhar popularidade, quando a Confraria das Alfândegas fez uma promessa, originando uma peregrinação anual ao santuário.

No interior, a imagem de Nossa Senhora da Atalaia é enaltecida por um magnífico retábulo em madeira do Brasil, do século XVIII. As paredes da nave central estão revestidas com azulejos azuis e brancos do século XIX, que retratam a vida da Virgem.

A romaria, que possivelmente iniciou-se em 1507, surge em resposta a uma terrível peste que assolou a capital. Nesse cenário de devastação e doença, um grupo de oficiais da Alfândega de Lisboa decidiu formar um círio. Desembarcando em Aldeia Galega, eles conduziram uma procissão até o Santuário da Atalaia, implorando a proteção de Santa Maria da Atalaia contra a peste. O seu pedido foi atendido e, desde então, uma peregrinação anual é realizada, sendo que os círios chegam à Atalaia no último domingo de agosto.

Numa das dependências anexas à igreja, encontra-se o Museu dos Ex-Votos, onde um vasto acervo de oferendas populares ao longo dos anos é exibido. Este valioso património religioso, antropológico e sociológico oferece uma perspetiva única sobre a devoção e as promessas feitas a Nossa Senhora da Atalaia.

E assim, enquanto nos aproximamos do próximo fim de semana, vale a pena reconhecer as festas em honra de Nossa Senhora da Atalaia, que perpetuam a tradição de séculos e mantêm acesa a chama da devoção a uma Virgem tão querida há tantos séculos pelos populares de toda a região do Vale do Tejo, conquistando assim um lugar de destaque na cultura religiosa da nação. Fique a conhecer o programa das Festas aqui (inserir hiperligação ao artigo do Programa das Festas).

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