Base Aérea nº6: 68 anos “elevando o bom nome de Portugal”

Atualmente, a sua existência gira em torno da discussão sobre a criação do novo aeroporto complementar ao de Lisboa. No entanto, a base aérea nº6 é uma referência no percurso histórico do Montijo.

A sua localização junto ao rio Tejo permitiu que a Força Aérea Portuguesa encontrasse no Montijo uma oportunidade de estabelecer aquela que viria a ser uma das principais bases aéreas para patrulha marítima, luta antissubmarina e busca e salvamento. Reúne, nas suas instalações, a Esquadrilha de Helicópteros da Marinha Portuguesa e o Centro de Treino de Sobrevivência da Força Aérea.

A Base Aérea nº6 começou a ser construída pela Marinha portuguesa por volta da Segunda Guerra Mundial, com o objetivo de transferir o Centro de Aviação Naval para o Montijo. No entanto, as obras da sua construção só finalizaram em 1953, inaugurando o então “Centro de Aviação Naval “Comandante Sacadura Cabral” a 2 de janeiro desse mesmo ano.

Para esta construção, deveu-se o crescente investimento na aviação nos anos 30, a criação da Escola de Aviação Naval do Bom Sucesso e, mais tarde, a instalação do Centro Aeronaval do Montijo, todos projetos implementados pelo Comandante Sacadura Cabral. O seu brasão de armas tinha como lema “Onde a Terra Acaba e o Mar Começa”.

Desde 1952, a Base Aérea nº6 era utilizada como um pequeno destacamento comandado pelo capitão-tenente Tello Pacheco e, um ano mais tarde, veio a tornar-se oficialmente nas instalações conhecidas até hoje. Tendo um campo de cerca de mil hectares planos, a este espaço ao serviço da Força Aérea tem dado um contributo importante no desenvolvimento da aviação militar em Portugal.

A 12 de julho de 1954, a base é integrada no ramo da Força Aérea Portuguesa, e, anos mais tarde, começa a operar na luta antissubmarina e na patrulha marítima com a aeronave PV-2 Harpoon, substituída pela P2V5 Neptuno. A 9 de junho de 1998, foi feita membro honorário da Ordem do Infante D.Henrique, destacada pela sua prestação de serviços importantes tanto a nível nacional como no estrangeiro, sob o lema “Força e Grandeza de ânimo”.

Na sua posse, a Base Aérea nº6 alberga 4 esquadras de voo da Força Aérea: a Esquadra 501 “Bisontes” (destacada para transporte aéreo tático, geral, busca e salvamento), a Esquadra 502 “Elefantes” (destacada para transporte aéreo tático, instrução de pilotagem e navegação), a Esquadra 504 “Linces” (destacada para transporte de altas entidades e calibração de ajudas-radio) e a Esquadra 751 “Pumas” (destacada principalmente para busca e salvamento).

Para além da sua atuação maioritária nestes três campos, serve ainda de instalações para o Centro de Treino de Sobrevivência da Força Aérea, com o intuito de preparar navegantes para sobreviver em terra e mar, com técnicas de fuga e evasão em território inimigo e também prepara equipas de Resgate em Combate, apostando na formação de diferentes áreas de combate, como é o caso da desativação de engenhos explosivos, socorrismo, técnicas de combate e comunicações.

Também na Base Aérea nº6 se tem acesso a minicursos de Guerra Nuclear, Química e Explosiva e as suas instalações servem ainda de casa para a Esquadrilha de Helicópteros da Marinha, sediada no Montijo desde 1992.

Atualmente conta com 68 anos de existência e de serviço por Portugal, carregando a missão de “Garantir a prontidão das Unidades Aéreas e o apoio logístico-administrativo de unidades e órgãos nelas sediados mas dependentes de outros comandos, bem como a segurança interna e a defesa imediata” e formando militares que levam ao peito o desejo de “elevar o bom nome de Portugal”.

O debate em torno da utilização destas instalações para a criação de um novo aeroporto complementar ao de Lisboa implica uma deslocalização das suas facilidades e dos seus serviços para o Aeródromo Militar de Tancos, com a distribuição de alguns serviços para a Base Aérea de Sintra.

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