Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro: conheça a sociedade filarmónica mais antiga do Montijo

A Sociedade Filarmónica 1.ºDezembro faz hoje 166 anos de existência, sendo a banda mais antiga do Montijo. Contamos-lhe a história da Sociedade, neste período marcado pela pandemia que vivemos, em que a cultura sofreu um forte abalo. No entanto, a Sociedade e todos os que contribuem para o seu funcionamento, de forma voluntária, dão o seu melhor para que a cultura do Montijo permaneça viva. 

Provavelmente recorda-se que todos os anos, no dia 1 de dezembro a banda da SF1.ºD saia à rua com os seus instrumentos e percorriam as músicas do Montijo, sonorizando-as com o Hino da Restauração no feriado do Dia da Restauração da Independência. Hoje, as ruas estão envoltas num silêncio.

Acompanhe-nos nesta viagem pelo mundo da Sociedade Filarmónica 1.ºDezembro (SF1.ºD). Encontrámo-nos à porta com Duarte Crispim, o diretor, com 31 anos de casa, que nos levou a conhecer as instalações e contou a história pormenorizada da Sociedade da qual faz parte também como músico da banda.

Com a pandemia, muita coisa mudou “no aniversário não se faz nada, derivado à pandemia, aliás, este ano já não há eventos”, conta-nos o presidente da Direção da Coletividade, Joaquim Baliza. Acrescenta ainda que “2020 era o ano que tínhamos mais convites para atuações, deixámos de fazer os bailes porque não pode haver contacto físico.  Os ensaios da banda tiveram praticamente parados, só recomeçaram no mês passado”.

Mas venha connosco que vamos contar a história da Sociedade que tanto tem contribuído para a cultura montijense.

Foi no dia 1 de dezembro de 1854 que se formou a Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro, com sede na Rua da Calçada, atual Rua da Bela Vista. A Sociedade constituiu-se com alguns elementos da antiga Sociedade Recreativa, membros da elite da antiga Aldegalega.

No século XIX, as bandas civis começaram a ganhar cada mais destaque. Amizade, harmonia e filarmonia são as palavras que movem estas bandas, pelo amor à harmonia, amor à música. 

Farda da SF1.ºD

Em 1958 a Banda Filarmónica 1.º Dezembro, conduzidos pelo Maestro António Gonçalves participou no concurso mundial de bandas civis, integrado no Festival Internacional de Folclore, realizado e Kerkrade, na Holanda.  

Conseguiram alcançar o segundo lugar. O acontecimento foi um grande triunfo para a cidade, porque mesmo com instrumentos antiquados, os músicos conseguiram um lugar de excelência no pódio.

Durante a viagem à Holanda, os elementos da banda alimentavam-se de pão, queijo e conservas. A participação apenas foi possível com o apoio de particulares, empresas holandesas sediadas em Portugal como a Shell e a Philips, o apoio do Governo Civil e da Fundação Calouste Gulbenkian. 

Quando chegou ao Montijo, a banda foi recebida por vários montijenses que aguardavam ansiosos a sua chegada.

Ainda no ano de 1958, em Lisboa, foi-lhes atribuída a Medalha de Ouro de Instrução e Arte pela Federação das Coletividades de Cultura e Recreio.

A música era cultivada nas horas de descanso dos músicos, como acontece ainda nos dias de hoje. Além das horas que tinham que dedicar à musica ainda tinham as suas vidas profissionais.

Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro na inauguração do Estádio da Luz

Em 1959, a banda participou num concerto de comemoração do aniversário da Revolução Nacional, em homenagem ao Presidente Honorário da Sociedade, Oliveira Salazar. No mesmo ano, receberam ainda a Medalha de Prata do Secretariado Nacional da Informação e Turismo.

Foi no ano de 1962 que a banda da Sociedade voltou a participar no Concurso Internacional de Bandas Civis de Amadores de Música em Kerkrade, onde ficou em terceiro lugar na primeira categoria.

Em 1971, a Sociedade foi condecorada pelo Presidente da República como membro Honorário da Ordem de Benemerência. No ano seguinte, a SF1.ºD foi homenageada com a Medalha de Ouro do Concelho, atribuída pela Câmara Municipal do Montijo.

Em 2005, a Filarmónica gravou o primeiro disco, com a direção do maestro José Manuel Brito.

A banda voltou a participar num concurso internacional, em Altea, Espanha: o XXXIX Certamen Internacional de Bandes de Música Vila d’Altea, no qual alcançou o terceiro lugar na categoria Secció Primera.

Duarte Crispim conta-nos que, em 2015, a Sociedade Filarmónica subiu ao palco no Cinema-Teatro Joaquim d’Almeida com o concerto “Revisitar Montijo”, onde homenagearam os compositores que marcaram a história da coletividade como: Baltazar Manuel Valente, Paulino Gomes Júnior, António Fortunato de Sousa, António Onofre e Manuel Cola. Alguns destes prestigiados compositores, como Baltazar Manuel Valente e António Fortunato de Sousa foram homenageados através da atribuição dos seus nomes a alguns topónimos do Montijo, pela sua contribuição para a cultura da cidade.

Em 2016, com a coordenação e investigação de Duarte, que tem feito um enorme trabalho para reunir informações de arquivo sobre a Sociedade, realizou uma exposição no Museu Municipal Casa Mora, com vários documentos históricos sobre a Sociedade, assim como os vários instrumentos e fardas, em colaboração com a companhia Mascarenhas-Martins.

Além da manifestação da arte de fazer música, a sociedade é a casa de várias outras manifestações culturais e artísticas. O mais importante para aqueles que estão à frente da Sociedade Filarmónica 1.ºDezembro é ajudarem os artistas do Montijo a expressarem-se, a terem uma voz e um palco, porque o que faz uma cidade é a sua cultura.

Presidente da Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro

A Sociedade Filarmónica contribui muito para a cultura montijense “ temos cerca de 300 alunos distribuídos pelas várias modalidades que a coletividade tem. Também contribui com a parte do associativismo, temos a sala aberta a sócios, poucos agora por causa da pandemia, mas chegávamos a ter 60 sócios aqui, a jogar, ver televisão, a ler…”, conta Joaquim Baliza, Presidente da Direção da sociedade.

O presidente da coletividade revela ainda que o que mais implementam é “a banda de música, por ser a essência da coletividade. Tem cerca de 20 alunos. Dentro das modalidades pagas, a que destacamos é as Danças de Salão”.

Com um apoio da Câmara Municipal do Montijo que ronda os 15.000 euros anuais, a Sociedade tem desenvolvido vários projetos, no entanto as salas de aula tornam-se insuficientes para os cerca de 300 alunos que a escola da sociedade tem.

A coletividade dispõe de várias modalidades. Na Academia de Artes pode encontrar: Dança Contemporânea, Ballet, Sevilhanas e Flamenco, Localizada, Aeróbica e Neopilates, violino, guitarra, piano, canto e formação musical, Iniciação ao Teatro, com a Companhia Mascarenhas-Martins, Danças de Salão, Dance 2 You, Dança Oriental e Fusão Tribal com a Companhia Al Nawar.

Tem ainda outras modalidades como Karaté-Do com o Mestre António Xisto, Capoeira com o Mestre Tucas, aulas de Zumba com a professora Rita Martins, Desenho Artístico com a professora Guida Casella e Street Dance com o professor Daniel Soares.

Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro

Para a Filarmónica, dispõe da Escola de Música, onde integrarão a Banda da Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro, com Iniciação, Formação Musical e instrumento. Com o Maestro João Branco tem também o Coro Polifónico Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro e, por fim, a Banda da Sociedade Filarmónica 1.ºDezembro, com a coordenação do novo Maestro Francisco Sequeira, que assumiu funções durante a pandemia. A Escola de Música alimenta a banda da Sociedade Filarmónica com novos músicos que nela são formados.

Como referimos inicialmente, a Sociedade Filarmónica é realmente um mundo, e nesta semana de aniversário damos-lhe a conhecer algumas pessoas que se destacaram na sua modalidade, fique desse lado.

Hino da Sociedade Filarmónica 1.º Dezembro

Contactos

Avenida Dom João IV Nº16 2870-155 Montijo

21 231 0372

sf1dezembro@gmail.com

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