Margarida Tengarrinha: Arte e Resistência na Clandestinidade

Margarida Tengarrinha, natural de Portimão, usou a arte para resistir ao Estado Novo. Descubra a sua notável história de coragem e determinação.

Nascida em Portimão, Margarida Tengarrinha foi uma figura incontornável na luta contra o regime do Estado Novo em Portugal. Desde jovem se envolveu ativamente em movimentos antifascistas e nas lutas estudantis, o que levou à sua expulsão da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa em 1952. Esta decisão impediu-a de prosseguir os estudos superiores e de exercer a profissão de professora, forçando-a a encontrar outros caminhos para a resistência.

Em 1955, Margarida e o seu companheiro, o escultor José Dias Coelho, passaram à clandestinidade. Juntos, utilizaram as suas habilidades artísticas para falsificar documentos de identificação que permitiam a militantes antifascistas escapar à vigilância da polícia política. Este trabalho era essencial para a rede de resistência ativa na época.

Continuação da Luta Após Perda Pessoal

O assassinato de José Dias Coelho pela PIDE, em 1961, foi um golpe profundo, mas não quebrou o espírito de luta de Margarida. Ela persistiu na resistência, colaborando com meios clandestinos como o jornal Avante! e a publicação A Voz das Camaradas. Durante o seu exílio, continuou a sua contribuição através da Rádio Portugal Livre, mantendo viva a chama da resistência.

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974, Margarida Tengarrinha não abrandou o seu envolvimento político e cívico. Foi eleita deputada à Assembleia da República, onde continuou a defender os valores da liberdade e da justiça. Mais tarde, dedicou-se à arte e à escrita, registando as suas experiências em “Memórias de uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade em Portugal”.

Legado de Coragem e Compromisso

Margarida faleceu em 2023, aos 95 anos, deixando um legado de coragem, resistência e um compromisso inabalável com a liberdade. A sua vida é um testemunho do papel crucial que as mulheres desempenharam na luta pela liberdade em Portugal. O projeto “Omissas” dedica-se a recordar e dar visibilidade a figuras como Margarida, cujo impacto na sociedade não deve ser esquecido. Este projeto mensal visa valorizar o papel das mulheres na nossa memória coletiva, promovendo uma sociedade mais igualitária.

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