Associação Anjo animal: “As nossas histórias felizes são, sem dúvida, as dos nossos velhotes”

SAIBA MAIS:

Entrevistámos a Anjo Animal, uma associação que tem como finalidade ajudar animais. Não têm um espaço físico, o que não impede os voluntários de continuarem a sua missão na causa animal. Os animais estão em casa dos voluntários, que muitas vezes são obrigados a recusar recolher mais animais. Sem uma adoção, torna-se difícil.

Desde 2018 que as voluntárias pedem para ser recebidas na Câmara Municipal do Montijo, no entanto a resposta ainda não chegou. Tentaram pedir à Junta um espaço para a associação, mas também sem sucesso.

Esta é a história de um conjunto de pessoas que se juntaram para ajudar estes seres sensíveis.

Como surgiu a Associação Anjo Animal?

A Associação Anjo Animal foi legalmente constituída em abril de 2018. Antes desse momento as pessoas constituintes da Associação trabalhavam igualmente a resgatar animais, mas de forma particular.

Quais são os principais objetivos?

Tendo em conta as limitações que temos, os nossos principais objetivos são resgatar animais em situações complicadas na rua, apoiamos famílias carenciadas com alimentação e cuidados veterinários para os animais, implementação do programa CED (Captura-Esterilização-Devolução) no Concelho do Montijo.

“Não podíamos deixar um animal idoso ir para o Canil… Ia morrer naquele antro que é o Canil do Montijo”

Milu quando chegou aos voluntários da Associação Anjo Animal

4) Qual é que foi a história mais triste de um animal que tivessem recebido?

Há várias, a maioria tem um final feliz. Mas a história da Milu, infelizmente e, apesar de todos os esforços, teve um desfecho triste. Foi uma cuidadora de uma das nossas colónias que nos pediu ajuda, pois tinha uma ferida na orelha e a dona ia abater o animal por 20€ num “veterinário” que nem credenciais tem para tal. A Milu chegou-nos dentro de uma gaiola de pássaros, com uma ferida péssima e enorme na orelha. Possivelmente, proveniente de cancro da orelha não tratado.  Levámos a Milu ao veterinário. Medicámos, tratámos e fizemos cirurgia, tudo de forma a tentar salvá-la e, mesmo ficando sem orelha, tentar dar-lhe uma vida confortável e feliz. Mas a cirurgia nada fez e a ferida da Milu continuou a piorar.
Já não havia nada a fazer e o animal cheirava a podre e tinha dores. Após aconselhamento veterinário sobre o caso, o melhor a fazer era dar uma final de vida tranquilo e sem dor à Milu. E assim fizémos…

“As pessoas querem vir ajudar, mas não querem um compromisso”

Nina com a sua irmã na nova casa

E a mais feliz?

As nossas histórias felizes são sem dúvida as dos nossos velhotes. E neste caso vamos contar a da Nina. A nossa Presidente tinha ido ao Gabinete Veterinário da Câmara e eles receberam uma chamada da GNR de Canha sobre uma cadela, supostamente envenenada, que era necessária verificação do Microchip. A nossa Presidente como vinha para Pegões ofereceu-se para ir ao local e verificar o microchip. Chegada ao local, a equipa da GNR estava a tentar perceber de quem era o animal –desentendimentos familiares. O animal não tinha chip, vomitava e era visível que não estava bem. Depois lá se percebeu que o dono da Nina já tinha falecido e a briga era entre familiares por causa do animal. O que se fez? Trouxemos o animal connosco e ficámos como Fiel Depositárias do mesmo. Levámos ao veterinário e o animal não tinha sido envenenado. Estava apenas desnutrido, mal alimentado e com parasitas. Os familiares não queriam o animal e nós não podíamos deixar um animal idoso ir para o Canil… Ia morrer naquele antro que é o Canil do Montijo. Tratámos a Nina, ficou linda. Esteve com uma das nossas voluntárias em família de acolhimento e a mesma até já pensava que a Nina não seria adotada. Quem quereria uma cadela velha, rabugenta e roedora de mantas? Uns tempos depois fomos à Feira do Animal de Belém e a nossa voluntária levou a Nina para ela não ficar o dia todo sozinha. Um voluntário de outra Associação viu a Nina e adorou-a. Ela já tinha uma cadela velhota e cega e não queria um cão novo. E pronto… Lá está a nossa Nina com a sua família e uma irmã canina. Continua resmungona e mandona do seu espaço.

“Fechámos o ano com uma dívida de 2.486,58€ só em despesas veterinárias”

6) Sente que as pessoas aderem e ajudam a causa animal?

Como em tudo, nem todos temos de gostar e apoiar as mesmas causas.
Com o passar dos anos acho que tem havido uma mudança de mentalidades no que toca à causa animal. As nossas ajudas, seja para limpeza de espaços ou para as campanhas de recolha de alimentos, provêm a maioria das vezes sempre dos mesmos voluntários. As pessoas querem vir ajudar, mas não querem um compromisso e, tal como um emprego, isto é um compromisso e vemo-lo dessa mesma forma.

Como pode ajudar a Associação Anjo Animal?

De que forma é que o confinamento afeta a Associação Anjo Animal?

O confinamento e toda a pandemia fizeram com que as Recolhas de Alimentos, de onde provinha a maioria da alimentação dos nossos animais, fossem canceladas. Isto fez com que tivéssemos uma despesa maior na aquisição de alimentação húmida e seca e areias. Também sentimos um grande decréscimo nos donativos concedidos pelas pessoas que nos ajudavam. A conjuntura atual mudou e há outras prioridades. O facto de termos de comprar alimentação (que tem de ser paga na hora) e o decréscimo de donativos fez com que a nossa dívida veterinária disparasse. Fechámos o ano com uma dívida de 2.486,58€ só em despesas veterinárias.

“Com a pandemia tentámos ser mais criteriosas nas adoções, para evitar as adoções por impulso. O abandono devido à pandemia ainda está por vir”

Sentem que existiu mais abandono no início da pandemia?

Não sentimos que tenha havido mais abandonos com a pandemia.
Houve sim, mais tentativas de adoções, a maioria por impulso porque ‘’de momento temos disponibilidade para ter um animal”. Então e depois de tudo isto passar, o que fazer ao animal? Com a pandemia tentámos ser mais criteriosas nas adoções, para evitar as adoções por impulso. O abandono devido à pandemia ainda está por vir.

Qual é a vossa missão?

Combate ao abandono de animais, controlo da população de animais errantes através do CED, proporcionar cuidados veterinários a animais errantes e abandonados, campanhas de informação e sensibilização, recolha de animais na via pública, proporcionando-lhes tratamento e um lar temporário e iniciar os processos necessários para adoção.

“Não temos qualquer apoio ou financiamento de entidades públicas, todas as cirurgias de animais feitas em CED são pagas por nós”

Quais são os requisitos para uma pessoa adotar um animal que esteja aos vossos cuidados?
O nosso processo de adoção assenta em 3 etapas:
1º – Envio do questionário de adoção – Enviamos um questionário de adoção que o adotante tem de preencher e devolver;

Após análise do questionário:

  • Chamada telefónica e/ou visita ao animal (Antes de o processo de adoção estar finalizado será realizada uma chamada telefónica entre o adotante e associação para eventuais esclarecimentos. O potencial adotante pode agendar uma visita ao animal);
  • Assinatura do Termo de Cedência e Adoção do Animal – A adoção implica assinatura do mesmo).

Todos os nossos animais saem com microchip, vacinas e desparasitação feita. No caso de animais com idade superior a 5 meses já saem esterilizados. O adotante tem de pagar o valor do chip e das vacinas. A adoção implica também um compromisso com a esterilização do animal, no caso de adoções de cachorros ou gatos bebés.

Quais são as ajudas que a associação tem?

Todas as nossas ajudas provêm de particulares: desde donativos monetários, donativos em espécie (alimentação, acessórios, mantas, etc…). Não temos qualquer apoio ou financiamento de entidades públicas, todas as cirurgias de animais feitas em CED são pagas por nós.

Contactos

E-mail: cantinhoanjoanimal@gmail.com

Contacto telefónico: 969 388 733

Instagram: @associacao_anjo_animal

IBAN: PT50 0033 0000 45529120958 05

Pegões, Montijo

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