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Sandrina Francisco: “Ano após ano, fui-me apaixonando por esta área [moda] e aqui estou”

Sandrina Francisco é diretora da Fashion Studio Agency, bem como uma entusiasta por toda a vertente da moda. Vive no Montijo desde 2008 e recebeu-nos para nos dar a conhecer o seu percurso profissional bem como a sua paixão pelo município.

A Sandrina escolheu o Montijo para ser a sua casa. Porquê? O que lhe atrai no município?

Eu vim para cá em 2008. Na altura, andávamos à procura de um sítio para viver. Eu vim de Leiria e o Zé [marido de Sandrina] vivia em Lisboa, mas nós gostávamos muito desta zona porque temos a sensação de estar numa cidade, sem ter o peso de estar na cidade, com aquela poluição toda. Aqui tens muito mais contacto com a natureza, estás perto do rio e tens muitos espaços verdes. Isso foi o que mais me atraiu no Montijo.

Que importância tem a cidade do Montijo para si?

É o meu lar. O Montijo, para mim, é minha casa. O que eu digo sempre é que quando passo a ponte, o trabalho fica do lado de lá [Lisboa] e aqui fica a descontração, a calma, a minha casa, o meu sítio preferido.

De onde desenvolveu o seu gosto pela moda?

 Não foi nada que eu tivesse escolhido, nunca pensei trabalhar em moda ou em comunicação. Só que, quando estive na faculdade, há alguns anos atrás, fui Miss Caloira e comecei a trabalhar com moda na altura. Ia fazendo uns desfiles, fui trabalhar para a L’Oréal e estava numa agência. Comecei então a desenvolver devagarinho o gosto pela moda, mais para ganhar uns trocos na altura do que propriamente por achar que iria ser esse o meu futuro.

A verdade é que, quando voltei para Leiria, ao terminar a faculdade e voltar para junto dos meus pais, houve um grupo de jovens que fazia moda na altura e que soube que eu tinha regressado e então fizeram-me o desafio para eu fazer alguns desfiles com eles e até produções de moda. Isto tudo em 1998.

Eu comecei a fazer alguns trabalhos de moda lá e, de repente, pensei que como todos os meus amigos de Leiria trabalhavam na área da moda, que seria proveitoso abrir uma agência. Em vez de andar sempre a dar os contactos individuais de cada um, se abrisse uma agência poderia ganhar algum dinheiro com isso.

E começou assim, na brincadeira. Nunca pensei que fizesse disso a minha vida. A verdade é que, ano após ano, fui-me apaixonando por esta área e aqui estou, já passando vinte e tantos anos. E atualmente giro a Fashion Studio, que começou só por ser agência de modelos.

“Gosto muito de pessoas e, principalmente, gosto de desafios. Gosto que venham ter comigo e digam que querem que dê o meu contributo enquanto ser humano e enquanto profissional para tentar fazer acontecer.”

Depois, em 2004/2005, estava com uma série de projetos na RTP e o Zé [marido da Sandrina] era de Lisboa, então mudei-me para Lisboa e trouxe a empresa comigo. Durante quase 10 anos em que estive na RTP, a agência funcionava quase em autogestão porque eu não tinha muito tempo para lhe dedicar.

Quando acabei o último programa, que foi em 2015 salvo erro, peguei na agência com força e achei que era tempo de eu dar muito mais à empresa. A partir daí criámos o Lab, que tem uma academia de moda para formarmos maquilhadores, stylist’s, fotógrafos de moda, tudo dentro da vertente de moda.

Temos uma equipa de maquilhagem e guarda-roupa na Sport TV e outra n’A Bola TV. Temos uma equipa que trabalha muito no styling para videoclipes, para capas de revista e para tudo o que nos for aparecendo dentro da vertente do styling. E basicamente é tudo muito virado mais para a produção de moda.

Há cerca de dois anos abrimos o Com. que é uma agência de comunicação. Nós sentimos que os nossos clientes precisavam muito de apoio na área toda das redes sociais, do web design, design gráfico, logotipos e branding, que é também uma área do meu interesse e na qual procurei também investir e estudar mais. Entretanto o Zé [marido de Sandrina] saiu da RTP e abriu também a vertente mais audiovisual. Ou seja, nós temos estes quatro departamentos todos dentro da mesma empresa.

E onde entra, neste percurso de vida, o seu gosto pela apresentação?

Também não foi propriamente gosto pela apresentação. Na altura, também me desafiaram e eu nem queria. Andei muito tempo a dizer que não queria, não gostava daquilo e não tinha jeito nenhum. Mas a verdade, é que tu te apaixonas pela televisão no seu todo, não apenas pela apresentação.

Quando crias um programa ou quando trabalhas num programa, tens ali um trabalho de equipa tão grande que é gratificante ver o resultado final. Eu não gosto de televisão nem pela fama, nem pelo aparecer. O que mais gosto é  fazer um produto final que leva uma mensagem às pessoas e isso é que me apaixonou na televisão e na apresentação.

Mas desenvolvi também essa paixão, não acordei de um dia para o outro a dizer que queria ser apresentadora, nada disso.

De que forma traçou o seu percurso para alcançar o lugar em que está atualmente?

Eu acho que é um trabalho diário. Eu costumo dizer que não há trabalhos nem melhores nem piores, há trabalhos com que tu te possas identificar mais. Eu gosto muito daquilo que faço e tenho os meus dias bons e os meus dias maus, como qualquer pessoa. Vivemos uma fase muito complicada para quem é empresário. Desde que apareceu a covid-19, que tudo se revolucionou porque tu nunca sabes o que vai acontecer amanhã.

Antigamente, se calhar, fazíamos planos a médio e longo-prazo e agora tens de fazer a curto, alguns a médio-prazo e mesmo assim nunca se sabe. Passámos pela fase do readaptar e teres de dar o teu melhor todos os dias, tendo sempre uma boa equipa contigo. A chave está em nunca achares que tens as coisas dadas como garantia, porque está sempre tudo a mudar.

Como é a rotina da Sandrina?

Não há rotinas, essa é uma palavra que não existe na minha vida. Talvez a única rotina que tenha seja o levantar cedo para ir trabalhar. Apesar de trabalhar por conta própria, sou muito disciplinada nisso. Mesmo quando estava em casa, nas quarentenas, sempre fui muito disciplinada com os horários e isso é a minha maior rotina.

Agora, em termos de tarefas, não há nenhum dia igual ao outro. Há um dia em que tenho sessões fotográficas, noutro, como hoje, tenho um dia cheio de reuniões, amanhã já estou a fazer outra coisa ou até posso estar a dar aulas. Todos os dias são um bocadinho diferentes.

E todo o meu trabalho é trabalho de equipa. É um trabalho muito criativo, mas que tem sempre um bocadinho de equipa. Nós, na empresa, tentamos ser todos um pouco polivalentes, ou seja, uma pessoa pode ser de comunicação, mas também percebe um bocadinho de guarda-roupa, outra pessoa pode ser de maquilhagem, mas dar uma ajuda também na produção. Porque, se um faltar, os outros conseguem colmatar essa falha muito rapidamente.

De onde surgiu a inspiração para a obra “Diário da Enclausurada”?

Mais uma vez, as coisas acontecem por acaso. Na primeira pandemia, eu achei que tinha de ter qualquer coisa como objetivo diário, para não ser só limpar e arrumar a casa e andar ao sabor do vento. Então, comecei a escrever, um bocadinho a brincar, por volta das cinco da tarde, as minhas conclusões do dia, mas sempre com um tom mais para o cómico e divertido porque sentia que estavam todos deprimidos à minha volta.

Lançamento da obra “Diário da Enclausurada”, de Sandrina Francisco

“Foi divertido e acho que marcou essa fase. É uma recordação para quem esteve ao meu lado naquele momento e penso que muitas pessoas se reviram naquilo que fui escrevendo.”

A minha ideia era pôr as pessoas a rir e a levar a quarentena na brincadeira, então comecei a escrever. A verdade é que eu escrevi cinquenta e tal dias e depois houve uma editora, que foi a Cordel d’Prata, que editou em formato de livro. Ou seja, nada do que eu escrevi era para ser um livro. Está lá a verdade nua e crua, com o nome das pessoas, porque era o meu Facebook e o meu Linkedin. Nunca foi com a ideia de escrever para um livro.

Em relação ao seu percurso profissional, de que forma sente que o município a acompanha?

Eu penso que as pessoas não me conhecem muito no Montijo. Eu trabalho em Lisboa e passo muito tempo lá. Agora, também sei que tenho pessoas aqui e de quem gosto muito que o fazem. Pessoas que estão na Câmara Municipal, na Associação que dinamiza a Baixa do Montijo e, como são meus amigos, acabo por ter essa ligação à cidade.

E depois, há algum tempo, dei aulas na Escola Profissional do Montijo. Nós demos, os dois, 12º ano na área de Comunicação Audiovisual. Fazíamos a parte teórica e prática toda com eles e também tenho mais essa ligação à Escola do Montijo. Talvez sejam essas as três entidades que mais me acompanham.

As pessoas que vivem aqui, acho que não fazem a mínima ideia de quem é a Sandrina. Desde que o meu trabalho chegue às pessoas certas, eu acho que isso é o mais importante. Se bem que, quando há eventos de moda, a Câmara ou a Associação da Baixa do Montijo convidam-me sempre para ir apresentar ou contribuir. Já dei aulas de História da Moda ao vivo, durante um desfile. Volta e meia sou desafiada a criar assim umas dinâmicas que tragam a parte mais profissional da moda também aos eventos que se fazem cá.

Qual é o seu papel ativo na promoção de um município mais atrativo para os seus visitantes?

É engraçado pensar nisso porque considero que temos a função de ser o porta-voz do Montijo e dizer bem da cidade. Eu gosto mesmo de viver cá, foi a cidade que eu escolhi e gosto mesmo de estar cá, mas nós, quando nos mudámos para esta cidade, tínhamos pessoas que ficavam um bocadinho admiradas de como é que tínhamos largado Lisboa para vir viver para o Montijo. E para mim era perfeitamente natural porque existe imensa qualidade de vida.

Obviamente que há muita coisa a fazer por cá. Como a minha área são mais eventos e comunicação, apetece-me sempre fazer coisas com as lojas. Agora, também sei que vivemos um tempo difícil em que alguns dos projetos que se poderiam desenvolver, tornam-se difíceis de investir neles. Mas eu acredito que se pode fazer muita coisa aqui pelo comércio. Podemos dinamizar mais as lojas locais, trazer mais pessoas à cidade, mostrar como é bom viver cá.

Como é que vê as iniciativas feitas para promover o comércio local?

Eu acho que a Baixa do Montijo Convida trabalha muito bem porque eles fazem do pouco muito. Estão sempre a criar novas iniciativas, com um calendário e desfiles com as lojas locais, fazem concursos de montras, ou seja, estão sempre a investir nisso.

No entanto, tens aqui uma cidade que vive a duas velocidades. Tens as pessoas que realmente são do Montijo e conhecem bem o município e depois tens a parte toda do dormitório porque há pessoas que só vêm cá dormir. Às vezes, eu noto que algumas das iniciativas não chegam tanto a essas pessoas, apesar de ser difícil chegares a toda a gente. Eu acho que a chave está mesmo em tentar aproximar mais as pessoas que só vêm cá dormir do centro da cidade.

Para alguém que trabalha na moda, como entende as dificuldades sentidas pelo comércio local durante a pandemia?

Não é nada fácil, mas não é só difícil para o comércio local. Até mesmo as grandes marcas tiveram essa dificuldade porque isto tem tudo a ver com uma alteração no consumo e nos hábitos do consumidor. Aquele consumir desenfreado do fast-fashion que toda a gente estava a viver há dois anos atrás parou muito quando, de repente, as pessoas ficam em casa, com maiores dificuldades económicas.

Há quase um acordar de tu perceberes que tens tantas coisas em casa, quando começas a arrumar. Eu falei sobre isto com muitas amigas minhas. Começamos a arrumar, a destralhar e percebemos que temos roupa para a nossa vida toda. Acho que houve um despertar para um consumo muito mais consciente. Consumimos menos, pensar quando vamos às compras e não reagir tanto ao impulso.

Até porque o dinheiro pode fazer muita falta para algumas coisas do futuro. Houve um desacelerar do consumo, não só nas lojas da Baixa, mas até nas grandes cadeias. Dou-te um exemplo, as Zara’s estão a vender menos, ou seja, mesmo as grandes cadeias sentiram uma quebra muito grande no consumo.

Obviamente que o comércio local, dependente de uma população que talvez saia menos à rua agora, que esteja com mais dificuldades económicas, sente logo. Mas também considero que, ao contrário, houve um aproximar das lojas do comércio. Se calhar, hoje em dia, já compramos na mercearia ao lado de casa, já vamos perto de casa comprar as frutas e os legumes para ajudar os vizinhos. Acho que também houve um despertar para esse lado de maior ligação ao comércio local.

Que planos e perspetivas tem para o futuro?

Talvez o maior objetivo e desafio seja manter a equipa, a empresa saudável, continuar com projetos que se tem na cabeça por fazer. Eu tenho uma marca de fatos-de-banho também e não foi fácil manter porque houve uma redução muito grande do consumo de beachwear porque as pessoas também não vão muito para a praia e não saem tanto do país.

Quero manter as marcas, manter a minha empresa a funcionar, manter a minha equipa comigo e ver as pessoas à minha volta bem. Esse é o meu objetivo a curto, médio e longo-prazo. Quero ser feliz, acho que as pessoas têm todas de ser felizes. Se me disseres assim, o que é que gostavas de fazer mais? Eu quero muito continuar a dar formação, gostava de voltar a ter um projeto em televisão, claro que sim. Já não penso tanto a longo-prazo, é tudo uma incógnita.

Por fim, o que é que define a Sandrina enquanto ser humano?

Eu acho que sou uma pessoa de bem com a vida. Sou uma pessoa feliz e quando estás feliz, tirando os teus stresses do dia a dia, levas a vida com mais calma. Sempre tranquila, sou uma pessoa criativa e sempre fui um bocadinho líder. Eu tenho a noção disso porque sempre chefiei equipas. Nunca consigo estar quieta e tenho sempre de estar a inventar coisas novas. Odeio monotonia.

Sou divertida, gosto de me rir e estar com os meus amigos, gosto de conviver com pessoas embora às vezes esteja farta falar com pessoas e diga que estou cansada. Mas gosto muito de pessoas e, principalmente, gosto de desafios. Gosto que venham ter comigo e digam que querem que dê o meu contributo enquanto ser humano e enquanto profissional para tentar fazer acontecer.

Criar coisas é o que mais gosto de fazer e aquilo que eu sou. É isto que me define.

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