Entrevista a Ana Isabel Arroja: a locutora da Rádio Comercial vive no Montijo há 20 anos

Ana Isabel Arroja é locutora da Rádio Comercial há vinte anos. Pode ouvi-la no programa semanal “Slow Down”, das 21h-00h. Abraçou também projetos na TV como repórter. Estudou comunicação na Universidade Autónoma de Lisboa. É, sem dúvida, uma voz habitual da nossa rádio!

Entrevistámos a Ana que nos falou do Montijo, das suas preferências musicais, de concertos e da sua filha Leonor:

Apesar de não seres natural do Montijo escolheste esta cidade para estabelecer o teu lar. Quais os motivos, para além da proximidade a Lisboa? Para ti, quais são as vantagens de viver no Montijo?

Sou metade lisboeta, metade pinhalnovense porque o meu pai é de Alvalade e a minha mãe do Pinhal Novo mas sempre morei no Pinhal Novo. No entanto, sempre tive amigos no Montijo e sempre gostei da cidade. Quando comprei casa decidimos optar pelo Montijo porque o meu ex-marido já tinha trabalhado cá numa rádio e também gostava muito. Foi uma decisão imediato, nem pensámos muito, ambos queríamos e simpatizávamos com a cidade. Estava na mesma perto dos meus pais e a um passo de Lisboa, sempre imaginei criar os meus filhos aqui. É uma cidade mas com muito campo à volta, muitos animais e eu adoro isso, adoro a margem Sul e a calma que nos permite. Passo a ponte e sinto que venho para o meu refúgio.


Há quanto tempo vives no Montijo? Qual é o teu sítio favorito da cidade? Alguma loja, restaurante que queiras recomendar?

Moro cá há 20 anos e gosto muito do centro da cidade ao pé da igreja. A Rua Direita, adorava ir tomar o pequeno-Almoço à “Mimosa”, ir à praça ao sábado de manhã… o meu restaurante preferido é sem dúvida “O
Victor”, onde se come o melhor peixe assado de todos e somos sempre recebidos como família! O Sr Vítor, a Paula, o Fábio… fazem mesmo parte da minha história aqui no Montijo e viram-me crescer, praticamente. Viram crescer os meus filhos que também adoram lá ir. Quando estava grávida tinha sempre desejo de sardinhas e o Sr Vítor guardava sempre uma travessa para mim, chegava a ir lá de propósito só para comer as sardinhas. Estou desejosa que isto tudo passe para poder voltar a almoçar lá aos domingos, já é uma tradição
Para jantar recomendo a taberna do Ilhéu, do Sr Lino e da Dona Lídia que tem uns grelhados que é de comer e chorar por mais. Houve uma fase da minha vida em que era certinho, todos os sábados jantava com amigos no Ilhéu e depois ia curtir para o “Kaxaça” até às 6h da manhã. Bons tempos.
Também gosto de levar os meus cães ali ao jardim grande em frente ao tribunal e adorava lanchar as tostas gigantes do “Domus”, o bar do jardim.

Sabemos que adoras música, claro. Não é por acaso que és radialista. Como tens vivido esta ausência de concertos e cultura, em geral, causada pela pandemia? Quais são as tuas expectativas para este Verão? Qual é a banda que estás à espera de ver?

Ando mesmo deprimida com isso, embora tente contrariar e ter uma atitude positiva perante tudo isto. Os concertos e os espetáculos são a minha vida, fazem parte do meu trabalho e são uma grande parte de mim, sinto muita falta e estou mesmo a ressacar. Como não bebo álcool, ressaco dos concertos (risos). Os últimos concertos que vi nem foram cá, foram em Londres, em Outubro de 2019 levei a minha filha a ver a banda preferida, os “Why Don’t We”, e depois em Fevereiro de 2020 regressámos lá para ver os “Steel Panther”. Um mês depois estalou a pandemia cá em Portugal… nunca pensei que fôssemos estar tanto tempo parados, com as nossas vidas em suspenso, sinceramente. Ainda achei que este ano voltariam os festivais mas alguns deles já foram adiados e creio que só mesmo em 2022 voltaremos a poder respirar sem máscara num festival de Verão, num concerto. Estou muito doida para ver os “Bring Me The Horizon” que vinham ao VOA e os “Deftones” que vinham ao Porto. Os “Slipknot” tb tinham concerto marcado para Agosto e cancelaram… era outra banda que queria muito ver.

Ana Isabel Arroja na Rádio Comercial

Gostas mais de trabalhar como repórter ou como locutora de rádio? Consegues escolher?

É fácil escolher porque a rádio é a minha vida. Se tivesse de escolher, obviamente que escolheria a rádio mas também gosto muito de trabalhar em televisão. Raramente digo que não a um desafio, gosto de arriscar, de sair da minha zona de conforto e de fazer coisas novas, estamos sempre a aprender e a vida é uma evolução constante, não faz sentido fazermos sempre o mesmo. E tudo o que tenha a ver com a minha área, com a comunicação, é a minha praia. Mas a Rádio e a Música sempre em primeiro lugar.

A tua filha Leonor participou nesta edição no The Voice Kids. Ela lidou bem com a eliminação? Achas que a Leonor vai continuar a perseguir este sonho? Ela toca algum instrumento?

A Nô está a aprender a tocar guitarra e piano mas é autodidata, vai experimentando aqui em casa, no quarto dela. O instrumento dela é a voz e ela sempre cantou desde pequenina, faz parte dela. Acorda a cantar, passa o dia a cantar e deita-se a cantar. Eu já disse várias vezes que acho que até canta a dormir (risos) por isso, desistir não é opção, este é o sonho dela. Ela sabia que podia ser eliminada, aliás, desde o início do processo que ela sabia que podia ficar pelo caminho e não ser escolhida sequer, sempre falámos sobre isso e sempre lhe dissemos que estava tudo bem, que isto era só um concurso, não definia o percurso dela. Mas foi passando as fases todas, os castings, a prova cega que era o que ela mais queria que corresse bem. A partir daí, tudo o que acontecesse era ganho, ela já é uma vencedora, provou a ela mesma que conseguia virar as cadeiras sem fazerem ideia de quem ela era. Só por isso já valeu. Agora é continuar a trabalhar, a ensaiar e tenho a certeza de que vai conseguir cumprir o sonho dela, ser cantora.

Queres sugerir algum disco aos nossos leitores? Qual é a música da tua vida?

“Ana’s Song” dos “Silverchair”, pelo motivo óbvio. É a “canção da Ana” e é de uma das minhas bandas preferidas que, entretanto, acabou. Amo esta música e nunca os vi ao vivo, com muita pena minha. Todos os álbuns dos “Silverchair” são brutais mas o “Freak Show” e o “Néon Ballroom” são os melhores. Muito oldschool.
Mas ultimamente ando doida com um artista britânico que se chama “Yungblud” e com os “I Prevail”, o álbum deles “TRAUMA” está incrível. Os “Bring Me The Horizon” também lançaram dois álbuns novos, um ao vivo no Royal Albert Hall e o “Post Human: Survival Horror” que compuseram durante a pandemia e que eu adoro, sou super fã deles! Estou à espera de músicas novas dos “30 Seconds to Mars” mas o Jared Leto anda demasiado ocupado lá com os filmes de Hollywood e nunca mais se chega à frente com a banda…
Tenho ouvido mto também o álbum novo dos “Why Don’t We”, uma boysband americana que é a preferida da Nô, e o das britânicas “Little Mix”.


Se tivesses que dar um conselho a um aspirante a radialista, qual seria?

Que tenha muita paciência, porque as coisas não acontecem de um dia para o outro, que corra atrás daquilo que quer, que faça acontecer, que não fique parado e que nunca desista, se é isto mesmo que quer porque é, sem dúvida, uma profissão apaixonante!

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