Loja dos Botões: 45 anos de tradição

SAIBA MAIS:

A Loja dos Botões faz parte da cidade do Montijo desde Março de 1975. Com uma localização central na cidade, numa das ruas mais icónicas – a Rua Almirante Cândido dos Reis, ou Rua Direita como é conhecida pelos Montijenses.

A história desta loja, que já viu crescer o Montijo e as suas gentes, começou quando a senhora Maria Joaquina Sobral e o seu marido visitaram a cidade, “gostámos do Montijo e ficámos com a loja em 1975, até agora. Na altura tinha 29 anos quando vim para aqui.”

No início nem tudo foi fácil, pois após a Revolução dos Cravos, muitas pessoas que tal como a senhora Maria e o seu marido, que tinham vindo de África, sentiram aquilo que foi talvez alguma revolta dos que cá tinham ficado, “na altura não fomos bem recebidos, houve uma certa reacção, mas por uma parte da população a outra parte recebeu-nos bem”. Hoje já não pode dizer o mesmo, “nós já estamos aqui há 45 anos e com a experiência que tenho daqui, hoje sinto que as pessoas gostam muito de nós, e nós também gostamos muito das pessoas.” E foi devido à sua história pessoal, que ficou com nome – A loja dos retornados, como ainda hoje é conhecida.

Não se arrependeu da decisão que tomou ao escolher o Montijo para viver e criar um negócio, e como nos disse, “foi um ciclo que se passou muito bem, gostei muito. Tenho uma filha que veio para cá com 3 anos e meio e já  tem quase 50, as minhas netas também são de cá, e sinto-me muito bem.”

A senhora Maria conta que quando arrendaram o espaço, havia quem não quisesse que mantivessem a porta aberta. O antigo senhorio até queria pagar para que saíssem, e na altura ofereceu 500 escudos, mas “nós queríamos uma vida, não queríamos dinheiro”.

Com o passar dos anos e sem ter qualquer restauro, a fachada da loja está descuidada, “se a loja fosse nossa já estava aqui um prédio novo há muito tempo, não posso fazer nada porque não é meu, com muita pena minha, mas pronto fiz tudo por isso, mas não consegui”, conta a senhora Maria.

A loja dos Botões vende todos os artigos necessários à costura, e a senhora Maria diz-nos que o que mais vende são, “as lãs, porque as pessoas da minha geração tentam entreter-se, então fazem uma manta, um cachecol para a neta. Vende-se muito a lã e vende-se muito a linha de croché também, a minha geração tem que se entreter, porque se não a gente morre de tédio. Até eu farto-me de fazer croché”.

Dada a situação actual de pandemia, a maior parte dos pequenos negócios tem sido afetada e a Loja dos Botões não tem sido excepção: “o negócio tá parado, não se faz nada. De manhã vem uma clientezinha ou outra, porque tem que ir comprar o pão ou comprar a fruta e de tarde não vem mesmo ninguém”.

Um facto que é agravado pela falta de interesse das gerações mais jovens, como desabafa a senhora Maria: “porque é uma clientela da minha geração, a minha geração é que faz costura e croché. As gerações mais novas não se dedicam a estas coisas, ora a minha geração tem que se meter em casa um pouco, porque isto é mau, andar-se na rua. Eu se não tivesse a loja não saía do quintal “.

Ainda assim, a Loja dos Botões mantém-se aberta todos os dias, de manhã e tarde, e não tencionam que seja de outra maneira, pelo menos por agora, “desde que a gente abriu, felizmente, sempre cumprimos um horário, sempre, sempre, e mesmo velhotes continuamos a cumprir, estamos sempre atentos e há de ser o que deus quiser.”

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