Mascarenhas-Martins organiza “uma visita ao cérebro de um autor de teatro”

É na Galeria Municipal do Montijo que a exposição performativa "Aqui p'ra dentro" reinventa o modo convencional de fazer teatro.

No mês de outubro e novembro, a Galeria Municipal do Montijo reveste-se da mais recente criação da companhia de teatro Mascarenhas-Martins. Aqui p’ra dentro é uma exposição performativa com entrada gratuita que conduz os espectadores ao cérebro de um autor de teatro, neste caso, ao de Miguel Branco, dramaturgo e escritor da Companhia.

“O caos, o desleixe e a sobreposição de pensamentos” de que Miguel Branco refere ser vítima são apresentados ao público num percurso repleto de elementos cenográficos de espetáculos já estreados, textos amachucados, adereços que se colocam no caminho e ideias inacabadas que transportam os visitantes para a cabeça do autor.

Mais do que “uma exposição desleixada e desorganizada que expõe a fragilidade dos pensamentos” do dramaturgo, com Aqui pr’a dentro, Miguel Branco pretende reinventar o modo convencional de fazer teatro.

“Eu e o Levi [diretor da Companhia] já tínhamos a ideia de querer que isto representasse uma visita guiada ao cérebro de um autor, sendo isso uma tarefa, à partida, impossível porque nem nós próprios conseguimos conhecer o nosso cérebro.”, conta. “Mas agradava-nos a ideia de tentar mostrar como é que um autor de teatro pensa, escreve e expõe a sua escrita de uma forma pouco vulgar e contrasta com um espaço minimalista onde habitualmente vemos artes plásticas”.

É neste cenário “aparentemente caótico” que Miguel Branco se propõe a apresentar três das suas peças curtas que escreveu para a companhia e que se dividem ao longo das salas da galeria. Lama ressequida com marcas de carros e Golfinho André são dois espetáculos que contam com a presença de atores no local e trazem à luz do dia “temas inquietantes que confrontam e questionam a vida urbana moderna”.

Monólogo interpretado na curta “Lama ressequida com marcas de carros”_DR

Com Um pano em Vancouver, a ideia foi “inverter a lógica de pensamento habitual” ao criar um espetáculo que pudesse apenas ser ouvido. Miguel Branco convida os visitantes a sentarem numa poltrona de frente para uma ilustração, colocar os fones e ouvir a peça que os atores gravaram previamente.

“Esta peça foi escrita com a ideia de tentar sacar o texto de uma imagem. No fundo, é propor que a imagem e as pessoas representadas ganhem vida, falem e, acima de tudo, possam ser reais para os ouvintes”, conta o autor.

A exposição está aberta ao público de terça-feira a sábado, das 9h às 17h30, sendo que todas as sextas e sábados existem apresentações ao vivo, às 21h30 (sexta) e 16h30 (sábado), com os atores presentes no local.

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