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Nuno Canta: “É um grande desafio governar a terra onde nascemos e onde crescemos”

Nesta entrevista de duas partes o Presidente da Câmara Municipal do Montijo, Nuno Canta, recorda a infância na cidade que o viu crescer, dá a conhecer as tradições e o que de melhor há no Montijo e o porquê de este ser um concelho atrativo.

É natural do Montijo, como foi crescer nesta cidade? Que sítios frequentava?

Nasci aqui. Fui aqui formado na Escola Secundária Jorge Peixinho, antigamente Escola Secundária do Montijo. Morei no Montijo e morei na Atalaia numa propriedade da minha família.

Um dos sítios icónicos que frequentava na minha juventude era a Banda Democrática 2 de Janeiro, uma grande discoteca na altura aqui na zona, muito antes do Kaxaça ou mesmo do In Loco e do Alcunhas. Da minha juventude é a Banda Democrática 2 de Janeiro, era ali que nos encontrávamos, que convivíamos de algum modo e onde também nos formámos enquanto jovens e atores sociais aqui na cidade.

A escola secundária foi fundamental também, onde estabeleci muitas relações de amizade até hoje. A Escola Secundária do Montijo tinha as pessoas mais ricas da terra, as pessoas da classe média e as pessoas pobres e todos convivíamos ali. Depois a Banda Democrática era um sítio mais icónico, recordamos mais pelo lazer e pelo convívio social, mas a escola foi fundamental na nossa formação, na maneira como vivemos a cidade e como fomos crescendo nesta terra.

Esses são os valores que passam, o valor do acolhimento e da tolerância das pessoas, sempre fomos assim no Montijo, mas também os valores da relação social entre classes porque nunca houve grandes distinções.

Como é ser Presidente desta cidade? Cresceu aqui, fez a vida aqui e agora é Presidente …

É desafiante. Nem sempre fiz, tive uma altura em que estive fora porque fui estudar para Évora e também passei por Lisboa, pelo Instituto Superior de Agronomia, onde fiz a minha formação académica, alguma investigação científica e dei algumas aulas. Também tive essa vivência exterior aqui à cidade.

É uma cidade onde regressamos e é desafiante governar, particularmente por causa destas raízes e valores. Estou sempre a dar valor ao passado porque é muito importante para compreender toda a evolução da cidade no futuro e isso quer dizer que só uma pessoa da terra é que sente esses valores. Não estou a valorizar que só quem é da terra é que deve ser Presidente da Câmara, deve ser quem é o melhor ou o mais capaz para governar, mas a verdade é que sinto de uma forma diferente estes valores.

É um grande desafio governar a terra onde nascemos e onde crescemos. Às vezes até no próprio sentido de não desiludirmos as pessoas, de conseguirmos cumprir os nossos compromissos eleitorais e políticos e sobretudo de corresponder às expetativas.

O desafio é muito grande. As circunstâncias externas à cidade modificaram-se muito a partir de 98. Éramos uma terra que estava praticamente em decréscimo populacional e quando se dá a Ponte Vasco da Gama há uma clara inversão. Hoje somos a cidade que mais cresce no país em termos de população, somos a cidade que mais atrai pessoas novas e famílias para virem viver para cá e essa atração tem a consequência do aumento da cidade e do aumento das responsabilidades perante a mesma. É por isso que o desafio é superior, a própria cidade é desafiante.

“Penso que neste momento o grande fator distintivo do Montijo é o seu ordenamento”.

O que distingue o Montijo das outras cidades?

Para além dos valores de sempre, penso que neste momento o grande fator distintivo do Montijo é o seu ordenamento. O ordenamento da cidade foi bem conseguido e permite que as pessoas quando chegam ao Montijo vejam situações organizadas como avenidas e rotundas. São muito poucas as cidades que têm a organização que o Montijo tem de entrada.

A segunda questão que me parece importante é a nossa aposta numa cidade ambientalmente sustentável. Somos uma cidade muito arborizada, com muitos espaços verdes e esse aspeto de ter vida vegetal no interior da cidade é extremamente importante por várias razões, permite combater as alterações climáticas e tem efeitos significativos na questão da temperatura e dos ventos.

Outra coisa que torna o Montijo atrativo, ainda que pouco explorado comercialmente, é a nossa frente ribeirinha, toda essa zona muito bonita que tem o melhor pôr-do-sol do mundo. É uma baía lindíssima que a maioria dos montijenses ainda não vive com toda a intensidade, acho que falta isso. É preciso estruturas comerciais, isso é o que o Montijo ainda carece e era fundamental para tornar isto ainda mais visitado e vivido.

O Montijo também tem atratividade enquanto concelho. A Atalaia foi agora vencedora da final regional das Sete Maravilhas de Portugal, ganhámos a nível de distrito. Temos um outro território bastante desconhecido que é Pegões e Canha, onde temos tido investimentos significativos na área agrícola.

O Montijo é a Capital da Flor e a Capital do Porco. Que outros setores de atividade são tão fortes, mas mais desconhecidos?

O setor de floricultura é o mais pujante em termos percentuais comparativamente a todo o país, praticamente 70% a 80% das flores produzidas no país são daqui, é um setor muito forte e daí esta aposta na Capital da Flor.

Anteriormente tínhamos também como setor muito importante a suinicultura, mas, entretanto, já outros pontos do país também produzem e competem em grande força com o Montijo. A nossa função ao longo da história sempre foi de abate e transformação de carne.

Somos muito protagonistas também pela parte agrícola, tem crescido muito agora a fruticultura, temos pomares muito grandes em Pegões. Somos muito protagonistas do comércio, nomeadamente comércio a retalho, com o Alegro e com uma série de estruturas comerciais que, entretanto, se criaram, continua a haver muito investimento e interesse em investir nessa matéria. Temos ainda o setor da distribuição farmacêutica que se foi centrando aqui por razões de proximidade a Lisboa e a várias vias do país.

O Montijo é uma terra de tradições. Quais são as que mais se destacam?

A tradição de abertura ao mundo e que está expressa nas portas da cidade é uma das grandes tradições do Montijo, saber acolher. Esta tradição de saber receber e da tolerância é fundamental e acho que é característica do Montijo.

Depois temos tradições do Ribatejo, não fossemos nós a Aldeia Galega do Ribatejo, como a tradição dos pescadores e a tradição de navegação fluvial que é fundamental no Montijo, somos a principal terra de navegação do Tejo. Os marítimos é também uma questão muito importante e acho que nós todos como cidade temos de viver mais. Depois a tradição taurina, um outro elemento fundamental do Ribatejo e da Aldeia Galega.

Esta tradição entre o campo e o mar faz desta terra um lugar singular. Relativamente ao campo há a tradição da vitivinicultura, que é muito expressa. Não é por acaso que a Adega Cooperativa de Santo Isidro de Pegões é a mais medalhada do país.

Leia a primeira parte da entrevista

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