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O fenómeno do Montijo: Croissants “à moda do Porto” e o resgate do doce que todos julgavam perdido

Miguel Reis tem 31 anos e uma obsessão: provar que o Montijo não é apenas uma cidade dormitório. Entre a tradição da mãe e a visão de um gestor que abomina o desperdício, nasceu uma pastelaria de fabrico próprio onde a nostalgia tem sabor a açúcar e o futuro cheira a massa folhada.

Há uma nova morada na parte nova da cidade do Montijo que está a obrigar os locais a redescobrirem o prazer de “ir à pastelaria”. Está localizada na Praça da Concórdia e chama-se Pastelaria Del-Rei. Atualmente, com uma produção que já ultrapassa os 150 croissants diários e o resgate histórico dos Aldeanos — um doce que quase desapareceu com o tempo — Miguel Reis transforma o legado familiar num império de sabor que já aponta baterias à conquista de Lisboa.

Quem passa pela Praça da Concórdia, consegue ficar com desejos só do cheirinho que a Pastelaria El-Rei oferece com os seus croissants à moda do Porto.

Estivemos no 240 e ao entrarmos na pastelaria é notável o desejo que nos dá de provar aquele delicioso e estaladiço ‘croissant’ que só se pensava comer ocasionalmente com idas ao Porto. Agora não é preciso, porque o Montijo acaba de acordar para uma realidade que muitos julgavam extinta: a da pastelaria de bairro com alma de alta pastelaria. No comando deste “navio” está Miguel Reis, um jovem empresário que, apesar de contar apenas 31 primaveras, traz o balcão no ADN. Filho de profissionais da restauração, decidiu ser tempo de dar um teto à mestria da mãe, a verdadeira guardiã das receitas que agora alimentam a‘vitrines’es da nova casa.

O “Crime” de Deixar Morrer a Tradição

A grande estrela da companhia, além dos ‘croissants’ artesanais à moda do Porto — que se distinguem por uma calda de receita ultrassecreta — mas não se fica só por aqui, os projetos na cabeça do jovem empresário estão ao rubro, e já espera inaugurara uma segunda pastelaria no centro do Montijo. Confessa-nos com um olhar brilhante que esse é o seu maior desejo para já e com ele quer implementar na vida dos montijenses o regresso triunfal dos Aldeanos. Este doce, símbolo identitário dos habitantes do Montijo, estava em risco de se tornar apenas uma memória após o falecimento da última produtora que detinha a receita original. Miguel e a sua mãe decidiram fazer “arqueologia culinária”: recuperaram a essência, afinaram o ponto e os Aldeanos são um dos produtos que mais rapidamente esgotam na pastelaria El-Rei, e espera que seja o sucesso também na nova abertura. “Se não formos nós a apostar no Montijo, quem será?”, questiona o jovem empresário, que recusa a comparação com a mítica e saudosa Pastelaria Mimosa por um motivo nobre: a sustentabilidade.

Requinte contra o Desperdício

Ao contrário das montras transbordantes de antigamente, que escondiam o “pecado” do desperdício alimentar, o novo espaço de Miguel rege-se pelo minimalismo e frescura. Com 90 lugares sentados e uma decoração que respira requinte sem ser intimidante, o foco é a qualidade em detrimento da variedade infinita. A estratégia está a dar frutos: “Temos clientes a vir do outro lado da cidade de propósito”, revela. Mas o Montijo é apenas o início. O projeto, já todo estruturado em modelos 3D, foi desenhado para crescer e a próxima paragem está traçada no mapa: Lisboa.

Um Natal com Assinatura

Nesta época festiva, o forno não para. Do bolo-rei tradicional às variações mais gulosas com Nutella, maçã e canela ou doce de ovo, tudo passa pelas mãos da chefe de pastelaria (a mãe de Miguel). As azevias, filhoses e os cobiçados bolos-rainha crocantes completam um catálogo que foge à ditadura dos supermercados e devolve ao cliente o privilégio do sabor autêntico.

Miguel Reis deixa um convite para que todos possam visitar para já a pastelaria Del-Rei, situado na Praça da Concórdia, 240, na cidade do Montijo.

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