2Burguer: O restaurante que abriu por brincadeira e tornou-se um sucesso

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Sempre com um enorme sorriso na cara, escondido pela máscara que marca o contexto pandémico em que nos encontramos, mas refletido nos olhos, foi assim que nos encontrámos com o Sr. Carlos e com o seu filho Daniel, mesmo no início de um longo dia de trabalho marcado pelo amor à casa, pela vontade de chegar mais longe e, sobretudo, pela dedicação a cada cliente que entra no restaurante.

Muitos são os montijenses e além-fronteiras que têm degustado um hambúrguer no 2Burguer, mas poucos conhecem a história por detrás da hamburgueria que já ganhou um prémio internacional em apenas três anos de atividade.

O nome do restaurante foi pensado e elegido com um propósito “2Burguer veio da ideia de dar ao conceito algumas recordações e memórias de duas pessoas, neste caso eu e o meu pai e daí o número 2, porque somos dois. O Burguer por o conceito do restaurante ser os hambúrgueres. O nome em inglês porque o conceito é hambúrgueres à volta do mundo, além dos portugueses que temos na Carta”, revela Daniel, um dos proprietários do restaurante.

O aperitivo – A brincadeira que se tornou viral

O restaurante de sucesso foi fruto de uma brincadeira “A ideia surgiu, não como necessidade, mas mais como uma brincadeira. O meu pai trabalhava na área da restauração há muito tempo, há mais de 30 anos e eu também sempre estive ligado, apesar da minha área ser mais a informática. Nós sempre tivemos muitas ideias e sempre quisemos ter um negócio próprio e as coisas no trabalho do meu pai não estavam fáceis e, um dia disse ao meu pai para abrirmos um restaurante, só para nos entretermos. O trabalho do meu pai era muito difícil porque era o responsável de 20 empregados e cada vez que alguma coisa falhava ele tinha que ir e acabava por não ter férias ou folgas e nós não nos sentíamos bem ao ver isso, até como família. Custava muito”, lamenta Daniel.

Sendo a comida favorita de Daniel hambúrgueres, o coproprietário diz-nos que a ideia de abrir um restaurante veio da sua parte “fazia sentido criarmos um restaurante de hambúrgueres, não preciso de dizer que é a minha comida favorita, mas pronto, a ideia veio mesmo daí e de termos algo para nos divertirmos. Ao inicio era mais uma brincadeira que decidimos experimentar, mas a brincadeira tornou-se viral e tornou-se um sucesso e tivemos que nos adaptar. O meu pai deixou o antigo trabalho porque tivemos que nos aplicar porque de uma brincadeira virou um caso sério e estamos aqui de corpo e alma prontos para evoluir a cada dia que passe”.

Sempre recebidos com uma simpatia e amabilidade enorme, a preocupação fundamental de todos os que trabalham no 2Burguer é o cliente. Daniel revela que o segredo do sucesso do restaurante já foi descoberto por Henry Ford e cita uma frase do empresário “Se nos preocuparmos só com os clientes não precisamos de nos preocupar com o dinheiro porque ele vem”.

A Carta do 2Burguer é bastante variada e cada hambúrguer tem um destino. “Eu já viajei bastante. Felizmente tenho uma namorada que gosta imenso de viajar. Quando eu morava com os meus pais nunca fizemos nenhuma viajem para fora de Portugal. Nunca houve a necessidade de explorar o mundo. Quando comecei a namorar, há 13 anos, começámos a viajar bastante. Como sempre estive ligado à área da restauração adoro comer. Eu, por exemplo, não sou capaz de dar 50 euros por uns ténis, mas sou capaz de dar 20 ou 30 euros por uma refeição. Para mim comer tem que ser uma experiência, algo diferente. Cada vez que visitávamos um local tínhamos que ter uma experiência gastronómica nesse país, ir a restaurantes pequenos, que os locais fossem, não aqueles grandes restaurantes onde os turistas iam. Daí surgir o conceito de a Carta girar à volta do mundo. Quase todos os hambúrgueres têm um país e muitos dos países já eu visitei e tive a oportunidade de experimentar hambúrgueres locais”.

A entrada – uma Carta variada com Cozinha de Autor

Do leque variado que pode encontrar no 2Burguer, Daniel destaca dois hambúrgueres “Podemos começar pelo hambúrguer da casa, o Rústico. Aliás, vou mencionar dois hambúrgueres que têm uma história fantástica. O primeiro, como já referi é o Rústico. A ideia do hambúrguer surgiu numa viagem, na passagem de ano, quando nós sem querer entrámos numa pizzaria local fantástica. Encontrei um leque de pizzas diferentes e, entre elas, uma de pêra com redução de vinho do porto e eu fiquei pensei logo que aquela pizza era espetacular. E se conseguisse fazer isto em hambúrguer? E então saiu o Rústico, que foi a primeira criação. Em relação ao Ti Maria, não foi a primeira criação, mas foi o primeiro nome a ter em mente. Foi o nome escolhido muito antes de escolher o local. Por coincidência, quando soubemos deste local soubemos que antigamente havia um restaurante chamado Ti Maria, por esse sinal, tivemos a certeza que era neste local que nos queríamos estabelecer. É um espaço pequeno, mas para nós chega, para recebermos os clientes como se fosse a nossa casa”.

Para acompanhar um hambúrguer com carne de qualidade, é fundamental beber um bom vinho tinto, sugestão dos proprietários, que concordaram de imediato que o vinho é um elemento fundamental, se quer ter uma ótima experiência gastronómica “A nossa carne é fantástica e, para acompanhar uma boa carne é recomendado um bom vinho até porque os refrigerantes têm açúcar e o açúcar fermenta no estômago. O que é que acontece? Ficamos cheios rápido e a degustação já não é a mesma. O vinho abre as papilas gustativas da boca e, assim, consegue absorver melhor o sabor da comida. O refrigerante só prejudica porque vamos encher-nos e a experiência não vai ser a mesma. Para um bom hambúrguer recomendo um bom vinho tinto da casa”.

O Prato Principal – Um atendimento excecional

Se gosta de retornar à casa pelo atendimento prestado, saiba que se entrar no 2Burguer não vai retornar, porque não vai querer sair sequer. A simpatia que encontra e a excelente prestação de serviços é, diríamos que excecional. Segundo os proprietários ninguém se esforça, é algo que sai naturalmente, e esse é um dos ingredientes secretos da hamburgueria.

A preocupação para com o cliente foi tanta que decidiram abrir um espaço, em frente ao restaurante dedicado apenas ao Take-away. “O Take-away era um projeto que estava na gaveta há algum tempo. Se era para lançar, este foi o momento, até porque em termos de espaço não é apelativo termos atendimento de mesa e Take-away ao mesmo tempo, a nossa qualidade da comida ia decrescer. Até porque ia haver cruzamento de pessoas, entradas e saídas. O que nos impulsionou foi a oportunidade de ficarmos com o espaço em frente ao restaurante. Quando soubemos da possibilidade de ficarmos com o espaço não hesitámos e passámos toda a parte do Take-away para lá. Não há cruzamento de pessoas. Em tempos de pandemia, tanto os Uber como as pessoas, não se cruzam connosco. Manteve-se o funcionamento normal de um restaurante e retirou-se o Take-away. Os clientes tiveram um apreço enorme por não haver o cruzamento com outras pessoas, devido à COVID-19. Não há confusão”.

A Sobremesa – o restaurante sustentável decorado a partir de coisas que ninguém quer

Se é fã de velharias e da reutilização de material, saiba que além de poder degustar um hambúrguer rico por um preço baixo, pode também contemplar o espaço, todo ele decorado com materiais reutilizados. Desde o balcão, contruído com portas de uma casa em demolição no Barreiro, às mesas feitas com paletes, ao candeeiro que tem mais de 300 anos. Foram também utilizadas jantes velhas de carros para fazer candeeiros e televisões velhas como prateleiras. Daniel conta-nos que nem os blocos de notas são normais, dos talões que os clientes não querem, os proprietários em vez de mandarem para o lixo, transformam num bloco de notas. De velharias e coisas que à partida ninguém quer, inovaram e criaram peças únicas que, como o nome indica, não encontra em lado nenhum.

Daniel explica que “a ideia surgiu muito pela preocupação com o Planeta. Até porque todos nós devíamos estar conscientes dos problemas ambientais que temos. O proprietário alerta “Quem não sabe devia ver documentários ou artigos. As coisas não estão bem e precisam de ser mudadas urgentemente. Nós aqui quando abrimos o espaço abrimos com o compromisso de ajudar o planeta e de não comprar nada novo, fazer tudo sustentável e sempre que tivemos a oportunidade de melhor, a nível de plástico, como as palhinhas fizemos, mesmo antes da noticia nós já tínhamos porque sempre houve essa preocupação. Agarrámos em materiais que iam fazer lixo e melhorámos esse aspeto. Em relação à decoração foi isso que aconteceu. Toda a decoração foi feita por nós durante 4 meses, antes da abertura e aproveitámos os materiais que não teriam a finalidade de servir um restaurante e encaixaram que nem uma luva.

Segunda parte desta reportagem aqui.

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