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“Pintando a linhas” pelas mãos de uma bordadeira

Na Retrosaria Artes Criativas, situada na Rua José Joaquim Marques, Ilda Freitas dá vida a linhas e tecidos, transformando-os em belos bordados conhecidos pelo Montijo.

As linhas e fitas amontoadas conferem-lhe um ar distinto. Entramos numa pequena retrosaria situada no rés-de-chão de um prédio na rua José Joaquim Marques, mas nem por isso deixa de ser um espaço repleto de arte. Cores e desenhos variados pintam aquele espaço tão acolhedor a quem o visita. Lá dentro, Ilda Freitas recebe os seus clientes com um sorriso.

Faz do bordado a sua vida desde os seus tenros 12 anos e foi a primeira da família a interessar-se por tal técnica. Confidencia o quanto gostava de se enfiar no seu quarto quando era mais nova e explorar as telas com as linhas e fitas durante horas a fio. Quem lhe dava asas para voar era a sua mãe e relembra sempre o quão importante foi contar com esse apoio constante. “A minha mãe alimentou-me esse gosto, ajudando-me na parte económica. Quando via os trabalhos que eu fazia, dizia sempre o quão habilidosa eu era”, destaca.

Já não existem tantas bordadeiras, é uma profissão que tem caído em desuso, mas a responsável pela retrosaria garante que nem por isso deixa de existir a necessidade de ter estes trabalhos. “Estas casas estão em vias de extinção e é uma pena”, destaca Ilda Freitas, com alguma tristeza, ao reforçar que não é por isso um trabalho pouco procurado: “Estes materiais vão ser sempre precisos e, aqui, faz-se um bocadinho de tudo. Fazemos costura e confeção de cortinados, mas o que eu mais gosto de fazer é mesmo o bordado”.

A sua loja não é um espaço apenas para quem precise de comprar tecidos, fitas ou elementos essenciais para a costura. Lá também podemos contemplar algumas das obras feitas pelas mãos da própria bordadeira. Algumas peças foram feitas como passatempo, outras são encomendas de clientes, mas todas revelam a dedicação e o cuidado colocado até no mais ínfimo detalhe. Até porque destaca logo que “é no bordado que transporto amor”.

Ilda Freitas começou o seu negócio enquanto bordadeira há 21 anos atrás. A primeira loja que abriu foi em 1999, no Montijo e relembra o sucesso enorme que teve junto dos habitantes do município. “Já ensinei a várias pessoas que me visitavam, inclusive já dei um workshop em 1999 aqui no Montijo. As senhoras que trabalhavam para a Câmara vinham ter comigo no fim do trabalho e eu fazia pequenas sessões de duas horas e meia às terças e quintas, todas as semanas”, destaca.

Abriu a primeira loja pelo seu gosto imparável pelo bordado. Tinha 32 anos e carregava consigo o desejo de dar a conhecer o seu trabalho aos outros. Aliou o saber ao gosto pelo convívio e começou a ensinar quem queria aprender esta arte, com as técnicas que sublinha serem muito pessoais. Antes disso tivera outras profissões. Trabalhou como massagista, geriátrica e até trabalhou na hotelaria, mas algo que nunca abdicou foi da sua paixão pelo bordar. Para a responsável da retrosaria é como “pintar, mas com linhas”.

O seu bordado de eleição é em linho. Afirma-o enquanto se dirige para o fundo da loja à procura de um álbum com as fotografias dos seus trabalhos. As memórias, ninguém lhes tira, e é por esses pequenos momentos que relembra a sua participação em 2004 num concurso internacional realizado na FIL- Feira Internacional de Lisboa. “Tínhamos 3 júris a avaliar a nossa rapidez e técnica. Com um pequeno esboço que nos davam, tínhamos 15 minutos para desenvolver o trabalho. Fiquei em 8º lugar, tendo mais de 500 pessoas para serem aprovadas”, afirma a bordadeira.

Tal como o nome da sua pequena retrosaria, Ilda Freitas socorre-se da sua criatividade e imaginação para os trabalhos realizados por si. “Eu imagino muito as peças antes de as reproduzir. Para o fazer, tens de ter técnica, um horizonte diferente. De uma fotografia, pego e transporto para a tela essa mesma arte”, sublinha a responsável da loja. A inspiração pode vir de postais ilustrados e pequenos episódios com que se debruçava na rua ou até mesmo dos mais pequenos detalhes. Em tudo, é uma pessoa muito atenta, mas destaca que ser bordadeira é um trabalho muito cansativo.

Quando questionada sobre o futuro, Ilda Freitas reflete, com toda a calma, que “Há técnicas que são muito minhas e que morrem comigo, talvez não tenha pena de não o ensinar a outros”. O seu legado, pode não o deixar, mas está de “braços abertos” para receber quem queira, com ela, aprender o encanto de ser uma bordadeira.

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