Avenida Dr. Paulino Gomes: O incansável republicano e democrata

O montijense destacou-se pela sua participação ativa na vida da cidade, desde o seu papel na área política até à sua contribuição cívica.

Esta avenida faz ligação entre a Avenida João XXIII e a tão conhecida Avenida Luís de Camões. Sabe ao certo quem foi a pessoa que deu origem ao seu nome?

Manuel Paulino Gomes é uma ilustre figura montijense que se destacou pela versatilidade e contributo cívico e político para com o Montijo. Para além de político local e militante do Partido Republicano Português (PRP), também se reconhece o seu trabalho enquanto advogado, professor e articulista.

Biografia

Nascido na outrora Aldeia Galega do Ribatejo, Montijo de hoje, Manuel Paulino Gomes comemorava o seu aniversário a 5 de outubro de 1988, embora 25 de outubro seja a data assinalada como o seu nascimento oficial. Filho do taberneiro Paulino António e de Joaquina Gomes, foi sempre muito dedicado aos estudos, tendo concluído o Curso Complementar de Letras no Liceu Central de Lisboa com a classificação de 15 valores. Em 1907-1908 ingressa no Curso de Direto da Universidade de Coimbra, terminando com o grau de bacharel em 1911.

Nesse mesmo ano casa com Maria Augusta da Ascensão Ramalhete Gomes, de quem ficou viúvo a 26 de janeiro de 1919. Torna a casar a 31 de maio de 1968 com Miraldina Marques Valeira Gomes, com quem vive até ao ano da sua morte (1972).

Paulino Gomes com os colegas da Universidade. Fonte: Arquivo Municipal do Montijo

Político Local

Desde tenra idade que a veia política de Paulino Gomes se evidenciou. Ainda estudava no Liceu Central de Lisboa, com apenas 18 anos, quando se tornou membro da Comissão Concelhia da Aldeia Galega do PRP. Em 1912, adere ao Partido Republicano Democrático e funda o Centro Republicano Democrático. Em Novembro de 1913, esta fação do PRP vence as eleições municipais e Paulino Gomes é eleito Presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Aldeia Galega do Ribatejo.

É de destacar os feitos alcançados por Manuel Paulino Gomes enquanto Presidente da Comissão Executiva que aproximaram o Montijo da cidade que hoje se conhece : a abertura de um concurso para a construção de um mercado municipal (1913) e a decisão de criar Escolas Centrais Mistas (1914).

Militante republicano

Foi aos 18 anos que Manuel Paulino Gomes assumiu os seus ideais republicanos, com a entrada para o PRP. Desde então, lutou pela democracia e liberdade, assumindo uma postura de confronto para com os ideais do Estado Novo. A fundação do Partido Republicano de Esquerda Democrática (PRED), em 1926, em conjunto com José Domingues dos Santos, foi a prova disso, pois, até 1958, o PRED teve um papel ativo no combate à ditadura.

Com ele, o republicano entra em várias lutas democráticas, quer integrando as comissões de candidatura de Norton de Matos (1949), Quintão Meireles (1951) e Humberto Delgado (1958), como ainda as comissões municipais do Montijo da Aliança Democrato-Social.

A sua participação política finda em 1969, ano em que dirige a sessão de propaganda da Coligação Democrática Eleitoral (C.D.E.) para as Eleições da Assembleia Nacional.

Paulino Gomes entre os alunos do Colégio Moderno. Fonte: Arquivo Municipal do Montijo

Homem da Justiça

Não é possível enunciar o nome de Paulino Gomes sem que se refira a sua principal atividade profissional: a advocacia. Aliadas aos cargos políticos alcançados, o republicano nunca deixou de exercer funções enquanto advogado e juiz. Foi na qualidade de advogado que a Câmara Municipal da Aldeia Galega o nomeou seu procurador para a representar em tribunal, sempre que a Câmara fosse autora ou ré.

Merece destaque, enquanto advogado, a defesa exercida a Manuel Luís Dias, elemento do partido opositor (Partido Evolucionista), acusado de furto, de que resultou a sua absolvição. Também em 1969, a defesa a José António Pestana que estava acusado de colocar cartazes de propaganda eleitoral da CDE, à qual Paulino Gomes conseguiu a sua libertação imediata.

Para além de advogado, o montijense foi também Juiz substituto da Comarca do Montijo, entre 1916 e 1920.

Papel cívico

Desde jovem que Paulino Gomes se envolvia ativamente na vida e festejos da sua terra natal. Fez sucesso com as suas representações teatrais e ainda se tornou autor de duas peças de teatro: a revista “Arruma-lhe” (1913) e uma opereta representada no Teatro Recreio Popular, em 1914.

O nome do republicano montijense não só esteve associado à direção de associações como o Musical Clube Alfredo Keil (1909), a Banda Democrática (1914) e a Tertúlia Tauromáquica do Montijo (1948), como constava em todas as movimentações que eram feitas pelos montijenses. A Comissão pela construção do projeto de Miguel Pais da ponte sobre o Tejo (1911) e a participação na inauguração do Orfanato da Aldeia Galega (1919) são dois exemplos do seu envolvimento nas causas públicas.

À parte da vida política e da advocacia, Manuel Paulino Gomes foi Diretor da Escola Primária Superior da Aldeia Galega, tendo sido nomeado por decreto publicado no Diário do Governo, a 5 de Setembro de 1920. Também foi professor no Colégio Moderno, no qual deu aulas até ao dia da sua morte.

Paulino Gomes teve uma oratória exemplar e uma escrita fervorosa que o levaram a fundar o semanário dominical “A Liberdade”, órgão local do PRP, do qual foi editor e diretor. Foi, ainda, correspondente do jornal lisboeta “O Mundo” e chefe de redação da Gazeta do Sul, jornal local do qual foi diretor.

Jornal “A Razão”, para o qual foi articulista_DR

Com todos estes feitos e participações na vida da cidade, o Montijo não deixa de prestar homenagem a Manuel Paulino Gomes, quer através de exposições biográficas- como é o caso da exposição “Paulino Gomes: um montijense republicano e democrata”, desenvolvida pela Câmara Municipal do Montijo, em 2008- ou através da sua condecoração intemporal- com a presença do seu busto no Cemitério do Montijo.

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