O Colonato de Pegões: o sonho do século XX

A Herdade de Pegões Velhos pertencia a José Rovisco Pais, que quando faleceu, entregou a propriedade aos Hospitais Civis de Lisboa. No entanto a Junta de Colonização Interna desenvolveu um projeto diferente do pensado.

Como forma de modernização da atividade e de expansão das áreas cultivadas, o Estado Novo criou a Junta de Colonização Interna (JCI), em novembro de 1936, cujas competências incluíam o estabelecimento da reserva dos terrenos baldios, a aquisição de terrenos para colónias e, posteriormente a instalação de casais agrícolas.

A JCI construiu sete colónias com habitações para famílias, que por sua vez teriam que contribuir com os produtos que plantassem naquelas terras, ou seja, a Junta de Colonização Interna dava casa, ferramentas e animais aos habitantes e, por sua vez, estes ofereciam a mão de obra para trabalhar na agricultura.

A medida pretendia garantir que Portugal era autossuficiente na alimentação, ou seja, que se produzia e consumia produtos portugueses.

Em 1952, nasce a Colónia Agrícola de Santo Isidro de Pegões, realizada ao Sul do Tejo em terrenos do Estado, que ainda persiste nos dias de hoje pelo sucesso que o projeto teve. Pegões é o fruto do programa do Estado Novo que visava o desenvolvimento agrário e fundiário e tinha como objetivo fomentar a agricultura. 

Colónia de Santo Isidro de Pegões

Para integrarem a Colónia de Pegões, os candidatos tinham que cumprir uma série de requisitos e regras e assumir o compromisso do cumprimento de todas as obrigações que tinham perante o Estado Novo. Os colonos vinham de diversos pontos do país e procuravam uma oportunidade para melhorar as condições de vida e procurar o sustento na agricultura.

No entanto, apesar do controlo que tinham e dos deveres para com a JCI, os colonos consideravam atrativo o facto de terem terras e casas, numa época marcada pelo desemprego entre os trabalhadores rurais. Desta forma, as pessoas aceitavam as condições propostas, entre elas, o pagamento de um sexto da produção anual do que cultivassem, inicialmente, sendo que mais tarde os colonos viram esta quota a aumentar.

Santo Isidro de Pegões era um território despovoado até que os primeiros colonos começaram a instalar-se no início dos anos 50, tendo sido entregues casais agrícolas, nos quais ficariam de forma provisória, entre 3 a 5 anos. Depois desta espécie de período experimental, passavam a poder morar definitivamente nas colónias.

A distribuição territorial da Colónia Agrícola de Pegões foi feita em três núcleos: Faiais, Pegões Velhos e Figueiras e cada colono tinha direito a cerca de 18 hectares de terra e tinha a possibilidade de pedir um empréstimo para alfaias, animais e outras coisas que necessitasse para cultivar a terra.

Cada casal, que é o correspondente às unidades familiares onde se produzia, tinha terrenos, onde se cultivava sequeiros, vinhas, pinhais e ainda pomares e culturas hortícolas para sustento dos colonos daquele casal.

Parece uma sorte, é verdade. Oferecerem uma casa e um terreno para que pudesse cultivar e viver da agricultura, mas a verdade é que não há bela sem senão e os trabalhadores das colónias passavam por muitos maus momentos por trabalharem no campo, em dias que a terra escaldava ou noutros em que as mãos congelavam, como nos conta Maria dos Anjos, filha e residente da Colónia Agrícola de Pegões. Para ver brevemente, o testemunho em primeira mão.

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