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Rua Bernardo Santareno: o pseudónimo influente do Teatro português do século XX

Bernardo Santareno servia de pseudónimo para António Martinho do Rosário. Hoje, damos a conhecer a vida deste dramaturgo português do século XX.

Bernardo Santareno servia de pseudónimo para António Martinho do Rosário. Hoje, damos a conhecer a vida deste dramaturgo português do século XX.

António Martinho do Rosário, mais tarde conhecido como Bernardo Santareno, nasceu a 19 de novembro de 1920, em Santarém, Ribatejo. Era filho de Maria Ventura Lavareda, uma devota ao catolicismo, e Joaquim Martinho do Rosário, um homem republicano, anticlerical e opositor do Estado Novo. Ambos eram oriundos do Espinheiro.

Bernardo Santareno, estudou no Liceu Nacional de Sá Bandeira até 1939, ano em que iniciou o curso preparatório para medicina na Universidade de Lisboa. Juntou-se à Federação de Juventudes Comunistas Portuguesas em 1941, passando a ser militante eterno do Partido Comunista Português. Em 1945, transferiu-se para Universidade de Coimbra, licenciando-se em medicina em 1950. Especializou-se, posteriormente, em Psiquiatria.

Entre 1957 e 1958, viajou a bordo dos navios Senhora do Mar, David Melgueiro e navio-hospital Gil Eanes, para acompanhar as campanhas de pesca de bacalhau enquanto médico. Esta seria uma experiência que serviria de grande inspiração para algumas das suas obras literárias, como O LugreA Promessa e o volume de narrativas Nos Mares do Fim do Mundo.

Dedicou-se também à escrita de poesia e textos dramatúrgicos, tendo publicado três livros distintos: 1954 – Morte na Raiz, 1955 – Romances do Mar, 1957 – Os Olhos da Víbora. Foi considerado um dos dramaturgos mais influentes a nível nacional, em pleno século XX. As suas obras procuravam alertar a sociedade para temas relacionados com o direito à diferença e do respeito pela liberdade e a dignidade do homem face a todas as formas de opressão, a luta contra todo o tipo de discriminação, política, racial, económica ou sexual.

Ele próprio homossexual discreto, procurou quebrar estereótipos com as suas peças, como é o caso d’ O Bailarino e d’A Excomungada.

Bernardo Santareno foi distinguido, em duas ocasiões especiais, pelo Prémio Bordalo. Recebeu o Óscar da Imprensa em 1962, na categoria Teatro e, posteriormente, na mesma categoria, o Prémio da Imprensa, em 1963, acompanhado de atores como Eunice Muñoz, Jacinto Ramos e Luis de Sttau Monteiro.

Era um intelectual de esquerda e que se envolvia em alguns problemas com o regime salazarista, por ser um forte opositor. A sua peça “A Promessa” foi retirada de exibição logo após a estreia, por pressão da Igreja Católica. Depois da revolução de 1974, milita ativamente pelo partido MPD/CDE e no Movimento Unitário dos Trabalhadores Intelectuais.

Veio a falecer em Carnaxide, Oeiras, em 1980, com apenas 59 anos de idade. Encontra-se sepultado no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A 13 de julho 1981, Bernardo Santareno foi feito Grande Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Deixou em inédito várias obras literárias, entre elas um dos seus mais significantes dramas O Punho, que procurava retratar um quadro revolucionário da Reforma Agrária, em terras Alentejanas. O seu espólio deixado pode ser consultado no Arquivo da Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional de Portugal. O seu livro, O Lugre, deu origem ao filme Terra Nova, dirigido por Artur Ribeiro e estreado em março de 2020.

As suas obras encontram-se compiladas em quatro volumes pela Editorial Caminho.

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